Maternidade e Carreira

Culpa, Desejo e os Conflitos que Ninguém Fala

Ser mãe e profissional não é uma simples escolha — é um campo minado emocional, onde culpa, ambição e amor se misturam de formas que poucos ousam discutir. Enquanto a sociedade aplaude a “mulher que dá conta de tudo”, a psicanálise revela: o conflito não é falha sua, mas sim de estruturas que ainda esperam que você seja duas pessoas ao mesmo tempo.

Neste artigo, você vai explorar:
✔️ De onde vem a culpa materna (e por que ela é tão intensa)
✔️ Os desejos inconscientes que muitas mães reprimem por medo de julgamento
✔️ Como a terapia pode ajudar a encontrar seu próprio equilíbrio — não o dos outros


“Não Estou Fazendo Nada Direito”: A Culpa que Ninguém Conta

1. A Fantasia da “Mãe Integral”

  • Cultura: “Seu filho precisa de você 24h por dia”
  • Mercado: “Você precisa estar 100% focada no trabalho”
  • Resultado: Síndrome da impostora em ambas as funções.

2. Raiva Inadmitida

  • Muitas mães sentem frustração por terem que abrir mão de sonhos, mas têm medo de nomear isso — afinal, “mãe de verdade não pensa assim”.

3. Luto pela Mulher que Você Era

  • A maternidade muda identidades, e não é fácil aceitar que algumas partes de você ficaram para trás.

O Que a Psicanálise Revela Sobre Esses Conflitos?

1. O Mito do “Instinto Materno”

  • Freud errou ao naturalizar o “desejo inato de ser mãe”.
  • Hoje sabemos: a maternidade é construída socialmente — e está tudo bem não amar cada segundo dela.

2. Inveja do Pai (e dos Colegas Sem Filhos)

  • É comum sentir inveja inconsciente da liberdade que outros têm — e depois culpa por sentir isso.

3. Quando o Filho Vira “Projeto”

  • Algumas mães terceirizam seus desejos frustrados para os filhos (ex.: cobrar perfeição na escola para compensar sua carreira estagnada).

Como Encontrar Paz? 3 Abordagens Terapêuticas

1. Exercício da “Mãe Boa o Bastante”

  • Pergunte-se: “Se meu filho tivesse 80% da minha atenção (em vez dos 100% impossíveis), ele estaria amado e seguro?”

2. Resgate do Desejo Próprio

  • Liste: *”Quais sonhos *meus* (não da minha família ou sociedade) ainda quero realizar?”*

3. Reunião de Partes

  • Em terapia, trabalhamos a integração entre sua identidade de mãe, profissional e mulher — sem exigir que uma anule as outras.

# Vem Conversar Comigo!

Se você:
🔹 Chora no carro a caminho do trabalho depois de deixar seu filho
🔹 Sente que não é “nem mãe suficiente, nem profissional competente”
🔹 Tem sonhos que adiou e não sabe como resgatá-los

Agende uma sessão. Juntos, podemos:

  • Entender seus conflitos sem julgamento
  • Criar estratégias práticas para dividir seu tempo sem culpa
  • Lembrar que você é mais que rótulos

Maternidade e carreira não precisam ser uma gangorra de culpa. É possível escrever seu próprio roteiro.

💡 Você não está “dividida” — está multiplicada. E toda multiplicação exige ajustes, não perfeição.

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Psi Eduardo Felicio

Psicanalista desde 2006